O século XVI e o princípio do século XVII caracterizaram-se pela tentativa de recuperação dos escritos matemáticos gregos. Este interesse pelos clássicos cedo levou à questão de saber como os antigos descobriam os seus resultados. Um dos motivos que levaram os matemáticos seiscentistas e setecentistas à tentativa do método analítico antigo foi o facto de se sentirem intrigados e muitas vezes frustrados com o estilo sintético grego que os privava do método que primeiramente teria sido utilizado na descoberta dos resultados.
Os algebristas dos finais do século XVI estavam, portanto, familiarizados com alguns trabalhos gregos (já recuperados), com certas manipulações algébricas e conheciam as soluções das equações algébricas de terceiro e até mesmo de quarto grau. Mas os enunciados dos problemas e os processos de resolução eram apresentados em linguagem corrente (álgebra retórica) e, por consequência, as manipulações algébricas tornavam-se de difícil acompanhamento e pouco práticas. Salienta-se o facto de existirem já no final do século XV alguns autores que usavam símbolos para quantidades desconhecidas e potências, destacando-se o francês Nicolas Chuquet (ca. 1445 – ca. 1500), com o Triparty en la science des nombres de 1484, e o italiano Luca Pacioli (1445 – 1517), com a Suma de arithmetica, geometria, proportione et proportionalità de 1494. Em ambos os trabalhos existe um crescente uso de abreviaturas (álgebra sincopada). No século seguinte, os algebristas italianos – entre os quais se destacaram Nicolò Tartaglia (1506 – 1557), Gerolamo Cardano (1501 – 1576) com a Ars Magna e Rafael Bombelli (1526 – 1572) com L’Algebra – continuaram com o uso de letras e abreviaturas para operações e relações. Mas, apesar do uso de algumas abreviaturas, os algebristas do século XVI não usavam ainda símbolos para coeficientes, o que obrigava a ilustrar os processos de resolução de um determinado problema com exemplos concretos. Isto é, os algorítmos nunca eram apresentados de uma forma geral, mas sim através de exemplos numéricos. Não existiam, portanto, fórmulas redigidas de forma a poderem generalizar os problemas. Para tal ser possível, necessitava-se de uma nova álgebra: a álgebra simbólica. Um dos primeiros matemáticos que tentaram fazer uma introdução a esta nova álgebra foi François Viète (1540 – 1603).
Seguindo a tendência da época de recuperar o método de pesquisa dos antigos, a análise dos geómetras clássicos, Viète esforçou-se por identificar a análise grega com a nova álgebra, pretendendo expor esta última com clareza e simplicidade. Deste modo, utilizou os termos zetética e porística da análise clássica, tendo reformulado os respectivos métodos. Além disso, introduziu um terceiro método de análise, a exegética.
Com esta identificação análise/ álgebra Viète criou uma nova arte de cálculo simbólico, a logística especiosa, que se destacou por estabelecer uma rígida distinção entre quantidades dadas e desconhceidas. Esta nova forma de distinção permitiu-lhe abordar um amplo conjunto de problemas de uma forma sistemática.
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